sábado, 15 de outubro de 2016

Fragmentos de caminhos... quantas coisas eu vivi sem dar valor? (Relendo-me anos depois...) - 13/12/2010

Apresentação:

Fala povo, gostei da movimentação de leitura no blog, e como não vou aproveitar o último texto que escrevi (e falei que não publicaria), fui reler textos antigos e escolhi um com muita vida.  A ideia era ser um livro, e como decidi adotar o conceito de inacabado no meu trabalho artístico, achei pertinente selecionar um fragmento aleatório (colocando pequenas notas). Eu pensei em colocar uma foto do meu corpixo pra chamar atenção (hauahuahuahau), mas decidi colocar da dog Mel. Escrevendo isso aqui comecei chorar lembrando a terrinha... é isso...







Fragmentos de caminhos... quantas coisas eu vivi sem dar valor? (Relendo-me anos depois...)
13/12/2010 e notas de 2016.

        Estou indo do Rio de Janeiro para Recife. Totalmente diferente de como cheguei, e igual como há muito tempo não era. A parte difícil disto tudo já passou. Realizei muito, até mais do que imaginei, porém, menos do que eu realmente preciso. Continuo necessitando mudar muito, mas, que o próximo ano seja tudo como penso que vai ser. A parte mais emocionante é que realmente me livrei de muitos males, e agora posso dizer de cara limpa que sinto as mesmas emoções que antes, sem precisar, no entanto jogar o jogo dos ratos. Aprendi a me amar, a me valorizar, e sem necessariamente estar preocupado com o que os outros falam e pensam (ainda hoje tento fazer isso... rsrsrsrs... Nota de 2016 ), desta forma estou muito mais feliz do que cheguei.
         O Rio de Janeiro mudou minha vida, e eu fiz parte dela, eu fiz parte desta mudança. Gostaria de relembrar aqui cada instante que passei, desde as idas e vindas, de casas em casas, até chegar ao primeiro lugar no mestrado em educação na UNIRIO. Nada foi fácil. Muito menos escutar tanta coisa errada de alguns professoresFalo errada, pois não concordo, mas, há quem goste da forma como eles ensinam. Bem, não quero entrar neste pormenor agora diretamente.
         Tive que morar em vários lugares, ouvir várias gracinhas, inclusive de pessoas que ‘diziam’ ser amigas. Escutei principalmente que eu não iria conseguir, que só fazia tudo errado, que não sabia nem o que queria, e que dificultava tudo. Talvez eu não tenha dificultado, e sim aprendido que só na dificuldade é que damos valor. Bem, de certa forma concordo com muitas pessoas de que eu podia ter facilitado tudo, mas, o que seria deste livro então?
         Eu precisava viver essa aventura, um nordestino, andando para lá e para cá no Rio de Janeiro. Sai de Casa Caiada, praia de Olinda, diretamente para essa loucura que foi meu ano de 2010. De certa forma tudo isso começou em julho de 2009. Naqueles dois primeiros meses eu descobri que tinha forças e deus me falou que haveria algo de bom aqui para mim. Não satisfeito com todas as dificuldades eu lutei bastante, sofri bastante, e agora, estou aqui, feliz da vida, escrevendo diretamente do Galeão, destino Pernambuco, onde ficarei mais de dois meses só descansando, cuidando da saúde e da aparência.
        Quero chegar aqui no Rio depois do carnaval, completamente renovado, para passar 4 meses cursando o primeiro período do mestrado, e, aplicando o projeto no Chapéu Magueira (acabei investigando a Universidade das Quebradas – UFRJ - Nota de 2016). Pretendo realmente seguir o caminho de Deus, e sabe ele o quanto preciso disto. A muito que ando nas errâncias do mundo, e, penso que foi tudo muito necessário para eu ter conseguido tudo que consegui até agora. Sou bem visto no estágio e entre os colegas (será isso necessário? Nota de 2016). Fui bem visto pela minha futura orientadora (seis meses de curso e mudei de linha de pesquisa e de orientadora, Nota de 2016), e, quero chegar de cabeça fresca, disposto a escutar e aprender muito. Que deus ilumine os meus caminhos, e que se for de seu poder eu consiga a bolsa que tanto sonhei. Passei em primeiro lugar e preciso muito disto para não precisar desistir.
           O primeiro semestre foi muito mais doloroso do que o segundo. Posso até atribuir isto a minha ida para Brasília, meu contato com pessoas como Biskoitu e Formiga, e até mesmo minha oficina no ENEPE. Lá comecei a descobrir que precisava ser mais leve, mais livre, pensar e agir, saber a hora de curtir e a hora de pegar no batente. Então no segundo semestre vim decidido a fazer várias loucuras. Morei escondido durante um mês e meio na Universidade Federal do Estado do Rio. Paralelamente estava cursando 9 disciplinas no curso de Bacharelado em Artes Cênicas, havia me inscrito no mestrado, e comecei a correria atrás de bolsas e estágios.
       Nunca pensei que daria errado, mas, refletindo hoje, se não fosse o congresso de Feira de Santana, meu reencontro com a galera de Brasília, e é claro, tudo que vivi por lá, não teria dado certo. Aqui no Rio de Janeiro meu ‘anjo da guarda’ pode receber o nome de Sorriso (saudades dele inclusive, Nota de 2016).Já no Enearte eu consegui me estabilizar. Foi bom, emocionalmente estou surpreso, pois consigo perceber melhor minhas falhas, e conviver melhor com meus inúmeros defeitos (hahahhahahahahahaaahahha, queria voltar e dizer: “o processo é continuo”, Nota de 2016).  Quem sabe um dia conseguirei ser perfeito? (Nem preciso comentar o que penso agora né? Nota de 2016).
        Até aqui tenho sido abençoado, e agradeço a todo instante por tudo seguir no rumo, por ter conquistado muitos amigos, e pessoas que realmente acreditam no meu valor. Não precisam me julgar, e, a Unirio tem me fornecido surpresas (hahahahhahahahahahahaha #semcomentários, Nota de 2016). Quando entrei no programa conexões de saberes achei que realmente estava precisando daquilo, e hoje tenho certeza que não quero sair nem tão cedo (fiquei 3 meses, como passei no mestrado e fui para Olinda porque era mais barato ficar lá até ter bolsa no mestrado, pedi desligamento e fiquei como voluntário, hoje eu teria tentado continuar com essa bolsa os meses que fiquei em Pernambuco sem grana... Nota de 2016).
          Por lá (conexões de saberes, Nota de 2016) conheci outras pessoas da Unirio, e mais, conheci pessoas que estudam apesar de serem de famílias populares. Eles me influenciaram muito, me deram novo gás, e o resultado foi minha aprovação no mestrado. Ainda falo mais sobre este programa. Comecei a refletir minha vida, inclusive o que eu quero fazer dela profissionalmente, pois, cedo ou tarde, preciso de um trabalho fixo para ser possível constituir uma família. Agora pretendo seguir na educação, mestre, doutor, e pós-doutor. Para tanto vou começar a estudar o inglês e, tomara que tudo dê certo (ainda preciso estudar, está melhorzinho, Nota de 2016).
         Foi pensando nisso, que, morto de saudades, e tenso com os resultados das etapas do mestrado, que custavam a sair, na minha cabeça só tinha uma coisa, “quero voltar para casa”. Neste momento de vida eu estava a mais de um mês morando num hostel, aonde adquiri trauma e ‘abuso’ de ‘gringos’ (renderia mais de um capítulo este assunto, mas ainda estou pensando se vou fazer isso, porque apesar de tudo, muitos dos gringos que conheci gostaram de mim... e eu gosto deles).
         Vou resumir um pouco o que aconteceu em outubro. Mandei um trabalho (artigo científico), que era parte da minha pesquisa da pós em estudos cinematográficos, creio que um dos melhores trabalhos que já fiz... mandei este trabalho pra um colóquio de História que aconteceu em Pernambuco. Mandei, pois sabia que se fosse aprovado a Unirio pagaria minha passagem. Bem, meu trabalho passou, eu fui para Pernambuco, renovei minhas energias, voltei para o Rio, fiquei mais três semanas, e agora estou indo embora. Resumi em três linhas, algo que eu poderia contar em mil detalhes. Pois hoje tenho um grande problema, EU NÃO ESQUEÇO O QUE VIVO, QUE VEJO, QUE FALO, QUE SINTO. Vai ser meu terror e minha dádiva. Meu carma e minha salvação. A partir disto vou começar a me dedicar mais aos estudos e vivê-los na prática, como antes fazia quando comecei a pesquisar sobre pós-modernidade e religião.
         Eu fico triste em saber que as vezes, nós, estudantes e pesquisadores, saímos como chatos no dia a dia do senso comum. Acredito em algumas teorias que compreendi sim nos estudos, e outras que somente minha vivência. Mas ainda acredito que ninguém vai sentir o que você sente. Nem o que eu sentia. Nem o que eu estou sentindo agora. Não quero chatear ninguém. Queria todo mundo sorrindo... Hoje posso dormir e não acordar, e não terei um porém para resolver. Tenho muita vida aqui dentro... muita vida... muita vontade... mas importa mesmo que tenho vivido minha paz. Eu sei que você pode estar passando um problema, ou que você pode não gostar de mim ou do que escrevo, ou do que falo, ou simplesmente não ir com minha cara. Irmã/o, perdoa-me, sou tão humano quanto você... chega em mim, fala... e isso serve em todas as situações. Honestidade e sinceridade... sem ofensas, sem papo torto, sem mimmi... vamos dialogar... vamos ter paz? (Nota de 2016)




Abaixo uma carta-presente-poesia que fiz hoje:



Um dia talvez,
Não tão distante,
10 anos?
20 anos?

(...)

Lembra esse dia mais uma vez?

(....)

Mais uma vez?

(...)

E quando eu me for...
Não esquece...
...que ao menos uma vez...

(...)

***********Semana que vem, quinta, 20/10/2016 Meu simpósio com Elena Shuck (UFRGS):

POL 11 - POLÍTICAS DE ATENÇÃO AS MULHERES E A INTERFERÊNCIA DO ESTADO NOS DIREITOS DE REPRODUÇÃO FEMININA: CONVERGÊNCIAS E DIFERENÇAS REGIONAIS



Endereço: R. São Francisco Xavier, 524 - 1°andar - Sala 1006 A - Maracanã, Rio de Janeiro - RJ, 20550-900

Local: Sala 8050 Bloco F - 8 andar
Horário: 14:30 às 17:30



Beijos,


Lucas Leal 


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Vergonha alheia (de mim mesmo): Outro texto longo sobre o nada!

Vergonha alheia (de mim mesmo): Outro texto longo sobre o nada! 

Escrito 05/10 (e 07/10/2016)



Estive pensando recentemente sobre a vida, para variar um pouco, e como é legal estar com 30 anos. Estar onde estou, fazendo as coisas como tenho feito,  nem parece como eu era antes, em tempos mais incertos.  Mas, como estava dizendo, fico refletindo a vida, e o ano de 2013 ainda me vem demais na cabeça. Eu fiquei, entre 2009 - 2013, indo pouco em Pernambuco, e estava, meados daquele ano, quando fui lá, bem envolvido no projeto de cinema-teatro misturando ficção com realidade. Foi naquele ano que tudo pareceu mais claro do que vinha elaborando em artes. Acho que foi ali que percebi a proposição teórica do meu trabalho artístico e de certas impossibilidades particulares para realizar tudo como gostaria. Por fim, mesmo que este texto ainda tenha algo por vir, por milhares de motivos que eu hoje não consigo entender como foi possível, tive que começar a tomar posições mais firmes para meus projetos, e para minha vida. Ou seja, precisei continuar dizendo SIM, e aprendendo a dizer NÃO.
Ainda como hoje, bem menos claro, me perco pelas palavras ditas e deslocadas pelas múltiplas interpretações. Juntando com um momento em que eu, já como professor Universitário, e ainda como estudante de graduação em outra instituição, escolhi por colocar (continuar colocando, ora, eu já vinha fazendo muita coisa desde 2009...) minhas ideias publicamente. Sinceramente, eu não consigo ficar recordando 2009, 2010, todo começo no Rio de Janeiro (desde chegar de carona, até a soma de 19 endereços na contagem atualizada), e hoje ver como estou... eu queria voltar naquele tempo, e dizer para mim mesmo: “vai dar tudo certo, você é muito sortudo. Você tem tudo que precisa. Vai tranquilo... fica tranquilo...”
Já parei para pensar que faltou uma voz ali do meu lado, diferente de uma mãe, de uma família... voz de algum irmão ou algum amigo (será que eu conseguia escutar naquela época?) mas lembro dos treinadores, professores, amigos, sempre tentando... muita gente que me conhecia percebia logo que eu queria mais da vida... eu queria muito mais da vida. E aos poucos, eu fui tendo... eu fui tendo muito mais da vida. Coisas que aconteceram poderiam não... eu seria mais grato comigo mesmo se também não tivesse feito ou dito coisas... mas eu não estaria no lugar que hoje estou. Escolhi agora exercitar o quase silêncio... quando nada sei silencio... pouco falante naquilo que acho que sei... compreensivo naquilo que era para saber... achando que sei quase nada... só que, sem esquecer que nasci para algo. Eu vim com algum propósito maior. Todos nós viemos... tudo que acontece nas relações interpessoais serve para isso... nos mostrar o quão importante somos a cada dia para qualquer pessoa que temos contato por qualquer motivo que seja...       
Para mim? O que eu vim fazer? Todo meu trabalho artístico, e ai cito a parte positiva dele, do coletivo, do gratuito, e do espontâneo, era minha forma de linguagem. Meu próposito. Compreeender e propor novas óticas para uma realidade, tal como a nossa, inventada, e hoje cada vez mais online. Eu não conseguia criar uma linguagem somente falando, apesar de gostar de falar, e não conseguia muito divulgar o que escrevia... agora arrisco um pouco mais... e ai 2013 foi bom porque criei coragem de expor mais, ao mesmo tempo que comecei a condesar melhor os conceitos estéticos da minha atuação/teoria, explicando de forma mais concreta, mesmo que aparentemente seja algo distinto do convencional. Quem sabe escrevendo/explicando minhas atuações cênicas e proposições de ensino através da arte sejam compreendidas?
Uma coisa martela minha cabeça... “Palavras ditas são como flechas atiradas, não retornam....“ Frase que representa esse texto por completo. Vergonha alheia de mim mesmo por ter dito e até escrito algumas palavras. E isso acontece sempre... eu posso pelo menos hoje tentar controlar...  segurar meus pensamentos para mim, ora, nem todo mundo precisa acreditar no que penso, e se não falo (mesmo que escreva e não publique), ninguém saberá. Nos meus textos atuais, tenho tentado evitar dar nomes e especificidades ao que estou querendo me referir. Por isso... por ter percebido que realmente precisava ter tido outra postura em muitos momentos... mas como as palavras ditas, as ações, não retornam... Pensando uma lógica inversa desta última afirmativa... ontem (06/10), um dia depois que tinha começado escrever esse texto, encontrei um ex-aluno. Não vou esmiuçar a história específica, em poucas palavras, ele conseguiu se explicar para mim, algo que eu já tinha compreendido sobre o ocorrido (em 2013, e não é coincidência que a história fecha esse texto que eu tinha desistido de publicar...)
Acho que o título do texto diz claramente que é sobre vergonha alheia de mim mesmo, e eu, com tantas palavras sobre mudanças e positividades sobre quem sou, não conseguia transparecer tão claramente que minhas atividades artísticas nem sempre me permitiram pensar dessa forma. E como minha vida artística interferia na minha vida como professor, o relato acima, não é para mostrar que o ex-aluno estava errado e eu certo, pelo contrário. Ambos estavam certos e errados. E a vida segue... se fosse possível, voltaria também em 2013 e diria para mim: “Vai ficar tudo bem...”!!!! QUEM NUNCA PENSOU ISSO???? Normal... faz parte do processo...
 Meu trabalho artístico, pela complexidade, e quem conhece, ou já trabalhou comigo, sabe... tenho conceitos distintos para compreender as imagens, discursos, existência e não-existência. Sem fim. Com vários começos e meios possíveis... Não há tanta clareza nem necessidade de... enfim... não consigo nem explicar nesse texto, e há outros para isso (e vídeos...). Só que, eu sempre esquecia, e ainda esqueço, que nem sempre o outro vai entender como eu, como eu, não vou entender como os outros as diversas casualidades das relações...
Ao trabalhar com fragmentos de construções artísticas com base na existência real, por vezes, devo ter chocado muita gente. Por vezes não. Muitas vezes. Achava lindo. E eu ainda gosto de muitas imagens que somente eu sou possível de ter, como PerforMAN* (conceito que criei do meu Pernamuquês, vem do tradicional Performer). Dessa forma, minha teoria do teatro foi bem sucedida para os objetivos que me propus. Invadir, ocupar, intervir... mas, quando se faz isso no meio privado e nas inter-relações, nem sempre acaba bem. Eu demorei um pouco para perceber... insistia falante. Insistia risonho. Insistia jogando chame para o mundo. E o mundo não foi muito receptivo. Ou sei lá... como teoria do teatro foi... como atuação cênica talvez muito cansativa... atuar na vida real era o desafio...    
Nem sempre era tudo intencional. Um exemplo para ilustrar que o mundo tira suas conclusões... Eu treino Le Parkour. E fazia isso no campus onde estudava artes. Muita gente conhece até hoje meu trabalho (e a mim) por isso. Fiz durante 6 anos na Unirio. Legal. Para muitos, eu sou louco. Viam e diziam: “esse cara é louco”. E tantas outras coisas. Usar uma meia de uma cor diferente. Descolorir o cabelo. Raspar um lado, Deixar grande e de várias cores. Sei lá. Coisas banais. E isso era muito importante (para os outros), a ponto de me definir. Criar uma identidade (perfeitamente distinta de quem eu sou de verdade, mas de quem a persona era). Eu agora já não tenho tanta disponibilidade de explicar (porque de 2013 até agora tenho feito isso, principalmente com esse blog), tampouco de fazer (nas férias vou tentar brincar de artes...). Agora sigo pouco prestativo para minha própria teoria do teatro (mesmo que ela tenha me ajudado para minha teoria existencial e necessariamente social), que parte justamente do fazer, não importa para quem, nem quando, mas sim como e por que.
Ah, acho que VERGONHA é quando lembro alguns conflitos, os enfrentamentos, os olhares... definitivamente estou mais feliz na pesquisa social, pelo máximo que esteja precisando correr atrás de conceitos que utilizava de forma mais genérica. Agora preciso de uma compreensão mais sistêmica. Exemplos: Estado, cidadania, democracia, gênero e violências, política, economia, capital, classe, não-classe, sociedades... para cada palavra muitos autores, escolas acadêmicas... correntes teóricas... o curso de História foi minha base inicial para pesquisa, era o que eu sonhava ser... e sou... Historiador e artista...
Vergonha alheia de mim mesmo é um conceito que quero esquecer a partir desse texto publicado. Mesmo que ele se eternize, não quero mais sentir isso por mim mesmo... hoje tento... juro que tento ser alguém melhor a cada nova situação... mesmo eu achando que sempre fui alguém legal na medida do possível... quando percebo que posso estar ofendendo, tento me explicar calmamente. Se por algum motivo você não compreender o que eu quis dizer... pode perguntar... pode questionar..  
Acredito que todos passam pelas incertezas... então, se esse texto quer dizer alguma coisa, para os mais novos do que 30 anos, ou para quem estiver se sentindo desnorteado... “Vai dar tudo certo... vai com calma... respira, evita cometer os mesmos erros...”!!!!!!!!!!!! O MUNDO GIRAAAAA... e não podemos esquecer quem somos!!!!


Lembrar que Dia 20 de outubro de 2016 estarei no V Congresso Internacional do Núcleo de Estudos das Américas (NUCLEAS) .


Meu simpósio com Elena Shuck (UFRGS):

POL 11 - POLÍTICAS DE ATENÇÃO AS MULHERES E A INTERFERÊNCIA DO ESTADO NOS DIREITOS DE REPRODUÇÃO FEMININA: CONVERGÊNCIAS E DIFERENÇAS REGIONAIS



Endereço: R. São Francisco Xavier, 524 - 1°andar - Sala 1006 A - Maracanã, Rio de Janeiro - RJ, 20550-900

Local: Sala 8050 Bloco F - 8 andar

Horário: 14:30 às 17:30

link do evento:http://www.vcongressonucleas.com.br/


Beijocas


Lucas Leal

domingo, 25 de setembro de 2016

Viver anda muito chato e eu vendi meu Fusca 1969 (apenas um desabafo desconexo)!



Ando chateado com 2016. Primeiro pelo golpe, claro, sou brasileiro , historiador, e não posso esquecer esse triste momento político no país. Minha análise, mesmo que possa parecer rasa para você, é a verdade que construí para minha compreensão do agora. Viver está chato e tudo começou 2013 (mesmo 2012 tendo sido bem estranho também). Ano importante para mim, logo no começo conclui o mestrado e passei para lecionar como substituto na Uerj. Muita aprendizagem e várias aventuras no mundo da arte, eu tinha no facebook importante ferramenta de comunicação e divulgação. Além disso, era um bom espaço para discutir política. Até perceber que dava muita treta e que eu não sou dono de nenhuma verdade, inclusive vira e mexe percebo que sou desqualificado para conversar certos temas e/ou entendo porque já passei alguns “perrengues” com minhas opiniões. Sim, eu erro também. Mas, no geral, eu sempre me considerei uma pessoa legal, engraçada, e com esse defeitinho de ser polêmico. Mas voltando ao tema...
        ... viver está ficando chato, e, ainda em 2013, tivemos aqueles problemas todos que acarretaram as manifestações (não fui, pois na época achei aquilo muito estranho, em 2012 tivemos aquela greve de 3 meses e intensas discussões no facebook) e eu, sem querer, quase me ferrei em julho daquele ano. Estava vivendo realmente um paralelo existencial. Conflitos de toda ordem, e, para piorar, tinha que dar conta de muitos projetos e atividades, todas elas instáveis, inclusive na Uerj, que acabou com minha saída em 2014 (apesar de ainda continuar na coordenação da Pedagogia Ead – que também é um vínculo instável). Só sei que, em um dia muito ruim da minha vida, que nem vale a pena lembrar, mas não vale a pena esquecer, tudo mudaria para mim. Não é esse o tema ainda, de porque estar chato viver, mas para mim tem alguma importância. Não falarei sobre este dia e todas as consequências que me trouxe, mas dali em diante muita coisa mudou... parece trecho de música, e não me importa ser clichê, até porque o blog é meu e escrevo qualquer coisa...
... o resto de 2013, 2014 e 2015, observei claro, muitas mudanças em mim, fui dos 27 aos 30 anos, vi cada vez mais o esvaziamento do facebook como ferramenta de discussão social/política/engajada, devida a sua flutuante dispersão e alcance de impacto naquilo que eu pensava sobre as redes sociais... e credito muito disso a chegada da plataforma no celular (que não permite a mesma dedicação visual de quando estamos no computador) que limita o uso da ferramenta. Eu deixei de me interessar por estar presente e disponível para o social... comecei a entender que a internet, as pessoas, tudo nesse mundo é muito fugaz, líquido, “sociedade ploct”, com tudo ensacado, industrializado, ou pronto e disponível virtualmente...
... e tudo isso é tão pouco, tão fraco, tão... enfim, o facebook para mim, que sai 2009 de Pernambuco, sempre foi uma ferramenta mais eficaz do que o Orkut... e isso parece óbvio, e ai apareceu whatsaap (relutei no começo...).. depois comecei a perceber que tinham muitos outros aplicativos de relacionamentos, que fez o facebook perder um pouco essa função de contatos “amorosos” (claro que ainda existe). Mas esse ainda não é o tema que queria dizer...
... está chato viver, porque em 2016, eu fiz 30 anos, e comecei a viver de fato algumas coisas, e já não me interessar por outras, e ter mais compreensão e alegria em pequenas coisas, e não aceitar ou permitir mais que acontecessem outras... ou seja e em resumo, eu imaginava que estava (e está) ficando tudo melhor para mim. Que legal, né verdade? Sim... é muito legal quando tudo vai dando certo e vamos tendo mais calma e explorando somente as qualidades e os caminhos positivos. Mentira. Isso é uma farsa. Ninguém consegue viver plenamente feliz sem passar pelos problemas de trabalhos e familiares, ou particulares,  consigo mesmo.. é chato, abrir o facebook e ver as pessoas postando fotos de felicidades que não existem, algumas escrevem suas vidas, como eu, e outros insistem em discutir política, mas você não acredita que nada disso é importante. Sabe. Está me faltando algo. Eu pensava isso desde sempre... sempre está me faltando algo.
Agora estou eu com 30 anos, fazendo um doutorado... que tentei muito, tive que estudar muito, tentar muitas vezes, e me perguntando, é isso que eu quero para mim? É isso que acho ser uma vida sem ser chata? Não. Mas, desde 2004 que venho fazendo universidades, e mesmo transitando ainda na Uerj como coordenador, e só acabei o curso de artes cênicas março deste ano, eu me senti vazio quando fiquei sem vínculo como estudante até passar em julho para o doutorado. Então o que eu vim fazer escrevendo esse texto? Talvez libertar como estou me sentido, para evitar somente estar pensando... misturar decepções políticas com sociais... discutir uso da tecnologia na vida, dizendo que enjoou de tecnologia e escrevendo no computador para lançar no blog? Que tipo de sujeito pode ser tão chato quanto eu que acho que anda tudo muito chato?
Futebol? Eu amo, mas se o Sport perde, eu fico puto. Então imagino que deve ter muita gente mais puta do que eu, principalmente os times que estão para cair na série A do brasileirão, por exemplo. Que fútil, um historiador ex-ator que gosta de futebol, pensam e já me falaram algumas pessoas. Ai eu já fico sem estímulo de gostar tanto, até porque né, não sou burro, sei das várias manipulações e falcatruas que o futebol alimenta. Eu adorava jogar, mas também rolam desavenças e conflitos, enfim, chato. hahaha
Música? Pensando que grande parcela da população gosta de um nível muito desqualificado de música e que estar presente em eventos com muita gente tem me deixado um pouco sem vontade, melhor não falar de música..
Comida? Sou vegano, muita luta, muita vontade... 10 anos sendo ovo-lacto-vegetariano, este ano estou empreendendo o veganismo. Ai muita gente diz que é chato.
Netflix? Muitos filmes ruins e/ou genéricos e repetitivos. Estou vendo uma série, Suits, e muito pelo aspecto dos personagens, que precisam estudar muito, isso tem me motivado para o doutorado, hahaha
Cerveja? As vezes. Vinho? As vezes.
Preguiça? Em alto nível.
Cansaço? Muito. Tenho estado cansado dessas mudanças todas. Desde 2009 eu não paro quieto, apesar de que de 2013 a 2015 eu consegui morar no mesmo lugar. Mas fiz mil coisas, mil trabalhos, mil lugares que conheci e pessoas que cruzei... Sabe? Muitaaaaa coisa.. muitaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa... e ai esse ano estou querendo ficar mais sossegado. Não tenho usado muito o face, tentei finalizar as postagens no blog e apresentar meu trabalho artístico que agora realmente está meio parado, mesmo ainda devendo postar algumas coisas... é isso, Acho que tudo foi ficando meio chato quando meados de 2014 eu fui desistindo de trabalhar com artes... quando fui pensando em dar fim nos projetos e nas pesquisas... quando me decidi por um doutorado em uma área mais teórica/social do que artística. É um caminho mais longo de ter respostas. O ator recebe ali na lata, um sorriso, um aplauso. Mesmo que as duas áreas sejam desafiadoras, o mundo social é menos glamouroso, menos gliter, menos sorrisos... mas, é mais humano, é mais terreno, é mais plano, é de fato mais conceitual no sentido científico...
...semana passada vendi meu Fusca, por uma merreca, e não importa a grana e sim o que representou isso. Eu deixei de sonhar. Deixei de querer mais, ou de querer rápido e para agora (como até meus 27 anos...). Arrisco dizer que eu sempre quis algo, que pode acontecer ou não, e que nunca tive muita paciência. Fazer algo legal, importante, eterno. Ai deve ter uma mistura de ego, de querer ser... Por vezes busquei coisas que acreditava e outras que simplesmente achava que deveria e que seria momentâneo. Por muito tempo fiquei decepcionado comigo, pois não conseguia dialogar, e algumas coisas que fiz realmente não aprovo, inclusive artisticamente, ou principalmente no meio artístico... eu não sei ainda se sou um ex-ator, ou ex-artista, não sei o que significa isso. Quem acompanha, e não sei se muita gente, este blog, deve estar acostumado com postagens de trabalhos e já deve ter visto em algum momento sobre eu não ser mais ator. E nas entrelinhas ver que muita coisa foi por decepção...
... ai tudo foi ficando meio chato, até porque, eu por um lado não posso esquecer tudo que fiz, os sonhos, os projetos, os trabalhos, as poesias, meu jornalzinho (inclusive devo fazer agora só em dezembro uma nova edição)... não posso, não quero esquecer a história de um filme inacabado que conta a história de um palhaço uruguaio, acrobata, ex-jogador de futebol que foi morar em Pernambuco, depois fundou uma banda que não existe e virou sucesso em uma favela no Rio de Janeiro. Pelo máximo que eu não possa viver somente deste trabalho e aceitar que ele não teve o alcance que eu imagino que poderia ter se eu insistisse mais...  não posso esquecer. Não posso apagar minha vida, nem as coisas que apostei nela. SER QUEM EU SOU... POR ISSO QUE ANDA TUDO MEIO CHATO... NÃO TENHO FEITO QUASE NADA DO QUE EU VINHA FAZENDO... ao mesmo tempo que deixei de fazer muita coisa que não considero legal, inclusive sendo chato. Kkkkkk
Entende? É conflituoso... eu só queria tudo mais tranquilo, menos tretas, menos diferenças, mais alegria, mais tranquilidade... esse tempo longe da internet e do mundo artístico tem sido importante...  sinto falta, não minto, de sonhar, de conversar com amigos artistas, de conversar sobre minha arte... de repensar minha arte... sinto saudades do meu fusca 69 e tudo que pensei em fazer com ele... sinto FALTA de não ter conseguido aquilo que eu hoje digo que não quero mais. Não quero porque acho que vai ser muito divertido terminar esse doutorado em Política Social... que estou aprendendo muito e me dedicando muito...  e que a pesquisa , onde me proponho avaliar a Política Nacional de Atenção Integral a Saúde da Mulher (PNAISM) e tudo de gênero e feminismo que estou lendo tem sido muito importante para mim.  E isso não é chato. Porque eu cometi e devo cometer ainda, muita coisa chata com as moças. E eu quero falar disso, mas sem ofensas, sem gritaria, sem atitudes desnecessárias.
 Por um lado, os amigos, com comentários que as vezes, inclusive, me leva a comentar coisas (e sempre penso no que aprendi sobre ética, somos mais antiéticos quando estamos com nossos amigos mais íntimos do que diante de qualquer outra pessoa. São nesses momentos com amigos que falamos nossos piores preconceitos, justamente por confiar na pessoa, mas isso é errado. Temos que lutar para combater nossos próprios julgamentos, principalmente sobre as pessoas). Por outro lado eu mesmo, com meu desejo de encontrar alguma pessoa para formar família,  e ou pensar conhecer pessoas somente para curtição sem compromisso. Ambas escolhas são ótimas. Mas eu acho que nós homens nem sempre somos honestos. Não posso falar sobre as mulheres, mas ainda acredito que os homens são menos honestos. Eu decidi ser honesto.
 Estou no primeiro mês do doutorado, voltando para o Rio de Janeiro depois de ficar 6 meses em Olinda-PE, mas na verdade morando em Niterói, não tenho condições de sair assumindo nada muito sério. Até porque... o doutorado é realmente muito pesado. Mas sigo querendo família e diversão. O que fazer? Deixar tudo muito chato? Nada fazer? Conhecer pessoas sem muitas expectativas? Não ter pressa como antigamente? Sim... acho que a saída para tudo e até para encontrar um fim para este texto/relato/desabafo... eu e todos nós precisamos de mais paciência. Quando alguém hoje vem e me faz uma pergunta que não gosto muito ou não quero responder... eu respiro e penso, mas nunca respondo diretamente. Então vou fazendo isso na vida inteira... se está tudo muito chato, vou vivendo devagar, as pequenas alegrias, as pequenas oportunidades de sair e conversar... pensar somente coisas positivas e que vai dar tudo certo (mesmo eu tendo que fechar um seminário sobre o conceito desenvolvido por Olson em "A lógica da ação coletiva" e aqui escrevendo para este blog... bem... espero que minha próxima postagem seja o texto do seminário e depois do simpósio que vou participar).

É isso... o segredo é ter paciência...


Tema do simpósio na UERJ:

POL 11 - Políticas de atenção as mulheres e a interferência do estado nos direitos de reprodução feminina: Convergências e Diferenças regionais.

link do evento: http://www.vcongressonucleas.com.br/


Beijocas

Lucas Leal



domingo, 8 de maio de 2016

Uma música para minha mãe...

Dia das mães 07_05_2016,

          Então é isso, dia das mães, e um monte de gente ficou meses, semanas, dias, horas, pensando o QUE COMPRAR, para sua mamis. Alguns rezaram e lembraram-se de sua falecida mamãe. Outras chegaram a conclusão que não podem dar para sua mamãe aquilo que ela deu. 
          Eu não sou muito adepto desse esquema de datas comemorativas para comprar presente. Claro que é bom presentearmos as pessoas e dizer o quanto elas são importantes. Mas no dia a dia, podemos fazer também.
        Um dia desses estava estudando e me bateu começo de uma musiquinha... anotei o começo, segui estudando e não pensei mais nela. Ai começou esse movimento dos dias das mães, os jornais querendo fazer a gente COMPRAR algo, e lembrei que queria fazer uma nova edição do jornalzinho alternativo “Antes que o sol desponte”.
        Pronto, conclui a música, ou melhor, a letra, e quem sabe alguém se interessa em musicar? Tenho até pensado gravar vídeos com músicas de poesias que eu faço, que transitam também pelo hip hop. Mas sei lá, já tem muitas estrelas, e há poucas constelações... então não sei se encaro essa de virar cantor...
        A música está na primeira página do jornalzinho e quem tiver interesse em adquirir algum exemplar impresso só avisar. São apenas 40 exemplares, e farei 15 em papel de carta. Durante a semana estará pronto, só entrar em contato. Bjocas




quarta-feira, 20 de abril de 2016

Jornalzinho alternativo "Antes que o sol desponte" (abril de 2016)





Fala galera,

                A edição de abril de 2016 do Jornalzinho Alternativo “Antes que o sol desponte”, com apenas 40 exemplares, acabou. Cumprindo meu compromisso com os amigos online, publico todas as páginas. Lembrando que ele foi xerocado em papel reciclado e que ao publicar aqui, demonstro que nunca vou me importar com a quantia apurada (tirando os custos deu isso ai que tá na foto).
                O custo de tempo para elaborar é impossível de ser compensado economicamente e o que me importa é estar colocando minhas ideias na rua e estabelecendo diálogos com transeuntes, amigos, conhecidos e artistas. Dos 40 exemplares restou um amassado e molhado com cerveja. Resgatei ontem na mesa do aniversariante homenageado por mim na página 4, meu amigo Matheus Lins (provavelmente é o exemplar dele ehhehe).
                Alguns exemplares eu dou para pessoas que demonstram interesse e não possuem capital no momento, ou artistas que encontro na rua. Também entrego exemplares para alguns professores e amigos, mas sempre na perspectiva de me fazer comunicável, já que não frequento muitas festas. Com esse trabalho me sinto feliz, alegre e quero muito agradecer todos que ajudaram.
                O projeto surgiu 2010, quando ingressei o curso de Bacharelado em artes cênicas com habilitação em teoria do teatro (UNIRIO). Utilizei ele como cena performativa de conclusão de curso, propondo cena de elaboração/distribuição da edição especial de formatura (dezembro 2015). ‘
                A ideia dele era sempre levar as matrizes em algum evento (na defesa fiz isso e criei um evento), passar para as pessoas intervirem, e depois rodar na Xerox os 40 exemplares. É muito legal fazer assim, e enquanto as pessoas fazem intervenções nas matrizes eu faço algumas performances (o ato de falar sobre o projeto e pedir para qualquer pessoa intervir faz parte da cena performativa também).
                Mas, como expliquei dessa vez para o público, isso demanda tempo (que seja evento longo) e estrutura (uma Xerox próxima, por exemplo). Além de que a versão dessa forma fica com valor específico para aqueles que viram o material sendo elaborado e fica difícil distribuir em outros lugares se não acabar no dia.  
                Dessa vez já levei pronto, mas ainda xerocado. Pretendo em Maio fazer impresso e em papel de carta. Quando sair, divulgo para os interessados em adquirir fisicamente. Há também a possibilidade de você, que se interessar, me convidar para fazer uma versão especial para algum evento seu, inclusive mandando algum texto/poesia/protesto/proposta para anexar com meus textos/ideias/lamentos/sonhos.


Seja feliz (20/04/2016)

Eu tive um sonho,
que queria ser feliz,
Passou-se um tempo,
e agora proponho,
nunca ser infeliz.

e se oponho
ao meu primeiro sonho,
nunca mais proponho.

Mas se me disponho,
e fiz tudo que fiz,
afirmo para sempre,

quero ver você feliz!


               Então é isso... “Antes que o sol desponte”, me chame para algo, fale de mim ou fale comigo, sobre qualquer coisa. E do que trata o jornalzinho? Da vida...

Beijos e queijos,

Lucas Leal
















sábado, 9 de abril de 2016

A história de Valtinho: Um primata albino



            Um dia antes de iniciar as aulas na Escola Municipal Paulo Freire (01/04/2016), no Cabo de Santo Agostinho-PE, joguei futebol na “pelada dos tangas”. Uma pelada, jogo entre amigos, com esse nome, não pode sair coisa boa. Os FDP me chamam de “Pankeka”, porque o idiota do “Carlos”, quando eu tinha 13 anos, perguntou meu apelido, no meu primeiro dia de aula no Colégio São Bento de Olinda-PE.  Respondi que não tinha, mas em um lugar onde eu jogava futebol me chamavam de manteiga, porque segundo eles eu caia muito no chão. Logicamente. Veloz e esperto, não queria me machucar.
            Percebam como o futebol é importante na vida de uma pessoa. Até hoje as pessoas em campo querem me bater. E acham elas que eu devo aceitar isso “numa boa”. Quando não estou muito disposto, principalmente porque estou velho e não quero me machucar, tento tocar a bola rapidamente. Mas meu passe não é lá essas coisas. Sou bom em cruzar ou tocar para o atacante central. Acabo errando muito mais quando toco rápido, e sofro alguns xingamentos dos companheiros de time.
            Antigamente eu prendia mais a bola (ainda prendo quando estou disposto), e por conta disso apanhava bastante, e reclamava bastante, e arrumava bastante confusão. Lógico, a sociedade quer te ver apanhar calado, não sei que porra é essa que nasci, mas há algo errado em mim... Todos podem me xingar, falar mal, bater, e eu tenho que aceitar. Se reclamo, sou o chato, o reclamão... então fui aprendendo que a vida não é tão legal quanto deveria. E isso em todos os lugares que frequento é comum.
            Atualmente tenho tentado ficar calado e/ou sorrir para os problemas da vida. Sempre há algo pior. Sempre vai ter alguém querendo te ver pior. Mas sempre vai ter alguém que gosta do seu jeito de ser, da sua alegria, e vai querer seu bem. Mas... voltando para o surgimento de “Pankeka” em Olinda... o tal do  “Carlos” falou: então agora vai ser “Pankeka” (depois que falei de Manteiga). E pegou. Voltamos para aula, e tinha um Sachê de maionese no chão. Eu pisei e ele estorou melando Erivan (o CDF da turma). Pensei: “me fudi”.  Que nada, “Erivas” era o CDF mais diferente que já vi. Ele até jogava no time da escola. Muito gente boa. Pronto, na outra semana eu já conhecia metade da escola.
            Dos 13 aos 19 usei o “Pankeka” livremente, fiz (má) fama na cidade, e quando comecei a me preocupar com a minha imagem como  professor, tentei eliminar esse nome. Isso rendeu até alguns desentendimentos com os amigos (o idiota do Buxo ficou chateado uma vez). E lógico, foi inútil. Morei dos 23 aos 29 no RJ, e recentemente voltei para Olinda. Refiz contatos e comecei frequentar os locais com os amigos “das antigas”. Lá, como disse no começo, os FDP me chamam de Pankeka. E hoje, novamente, até acho legal. Comecei tentar ser um cara mais leve, livre, menos contestador, mas vira e mexe algumas coisas estranhas ainda acontecem. Deve ser coisa do meu santo (apesar de ser católico) ou sei lá que “miséria” é essa. Coisas estranhas acontecem comigo.
            Ao mesmo tempo em que faço muita gente rir, faço muita gente ficar chateada comigo, com coisas que digo e faço, ou simplesmente por sair por ai com cabelo amarelo, meiões de cores diferentes até o joelho e por ventura, com o rosto pintado. Sim, eu sou palhaço e estudei mil formas e formatos para meus trabalhos artísticos. Mas, vira e mexe sou taxado como louco ou fora do mundo.  Alguns amigos não compreendem. Eles falam entre eles, que devo ser louco, ou ter problemas na cabeça. As vezes isso me chateia, e as vezes eu quero que se fodam.
            O mundo é assim? A vida é isso? Viver e falar das pessoas? Como posso compreender-me como um sujeito se me sinto um sujeito incompreendido? E assim vou levando a vida...nesse segundo escrevo para me libertar dessas coisas. Preciso expor o que se passa comigo antes de relatar o que se passa com o meu meio social...
            No dia 01/04, dormi as 4h, acordei as 6h, e fui correndo para o Cabo, mais precisamente para Ponte dos Carvalhos. Como disse lá no começo, meu primeiro dia como professor. A “pelada dos tangas” acaba umas 22h... e depois tem a “resenha” em um bar próximo. Imaginem que para chegar as 4h em casa, coisa boa não rolou nessa “resenha”. E eu estava de bicicleta...  os meninos mandando eu embora e mandando eu parar com as cervejas e o Alcatrão.
            Quando entrei no whatsapp, 6:38, um FDP, vulgo “Valtinho Puto”, tinha mandado uma msg: “e nada de Pankeka acordar para dar aula”. Né foda mesmo? O cara acorda as 6:38, em vez de me ligar para ver se acordei, manda msg no grupo da pelada, crente que eu não iria acordar. Eu voltei quase dormindo e cambaleando em cima da bicicleta, mas acordei. Cheguei 8:05 na escola, a aula era 8:20.  O que fiz? Pensei: “vou arriar a onda com esse bicho hahaha”.        
            Na primeira turma, sexto ano A, peguei o celular e comecei a gravar em áudio para o grupo da pelada o que eu falava em sala.  Falei que ia contar a história de “Valtinho”, um amigo meu. Quando olhei, meu celular nesse dia não tava gravando áudio, e não tinha enviado nada. Fiquei triste e comecei a dar aula. O sexto ano inicia o curso de história discutindo o que é história e fontes históricas, além de questionar qual o trabalho do historiador.
            Antes de começar o conteúdo do curso eu fiz uma dinâmica: Entrevistando meu professor. Cada aluno deveria elaborar em seu caderno até três perguntas para me fazer. Depois eles faziam as perguntas. Faço isso em todas as turmas. E nem queiram imaginar as perguntas. Lembrem que sou bem branco, olhos claros, e tenho todo esse jeito maluco de ser. Não sou uma figura comum em um município do litoral pernambucano.
            Mas, no geral, perguntam minha idade, de onde venho, quantos anos tenho, meu time de futebol, se sou casado e se tenho filhos. É um “puta” momento para envolver os alunos e falar um pouco de mim de maneira clara, sem ser algo chato para mim ou para eles. Mato algumas curiosidades e ao mesmo tempo vou envolvendo os alunos na minha maneira de pensar e agir. Lógico que algumas perguntas não respondo, e tento não desviar o foco: EDUCAÇÃO.
            Estou ali para educá-los, na perspectiva da disciplina de História. E uma coisa importante para história é: ler e escrever. Por isso faço questão das perguntas serem escritas no caderno. Não é um trabalho meramente fora do contexto. Aluno é curioso mesmo. Eles perguntam muito sobre nós, ainda mais assim, uma figura tão diferente do que eles estão acostumados.  
            Mas, como os áudios não estavam indo, eu acabei por “enrolar” eles e não contei a “história de Valtinho”. Como era sexta feira, imaginei que passaria. Eu não sabia nem o que ia falar sobre Valtinho, pois na verdade ele é amigo dos amigos da pelada, e eu não o conhecia muito. Via que no grupo do Whatsapp os meninos sempre falavam: Valtinho Puto, e depois lançavam um símbolo de dedada. Mas eu nunca tinha conversado com ele até hoje de madrugada (já depois de ter feito essa zoeira com ele na escola).
            Para minha surpresa, quarta feira, quando entrei no sexto A, estavam todos esperando pela história do meu amigo Valtinho. Nosso conteúdo seria “A origem dos seres humanos”. E com toda habilidade de improvisação e criatividade que Deus me deu, associei a História de Valtinho com o tema e com meu objetivo como professor de História. Falei que tanto eles quanto Valtinho e os macacos tinham vindo dos primatas (dessa vez o áudio estava pegando e vários trechos da aula foram para o grupo na internet).
            Foi muito divertido... e em algum momento eu já não tinha muito o que falar, nem sabia o que dizer sobre Valtinho e joguei essa: Quando nascemos, já sabemos falar, ler e escrever? Eles responderam: não. O que é preciso? Estudar, ir para escola professor. Exatamente, mas Valtinho não gostava de escola, até hoje ele não sabe ler e escrever (hihihihi). Imaginem que o áudio disso foi uma comédia. Virou assunto no grupo e muita gente rindo.
            Em determinado momento alguém falou no grupo: Valtinho macaco albino (pois ele é branquinho meio “galego”). E eu ri muito. Eu ri pois foi uma ideia tão sem propósito, falar que ia contar a história de Valtinho, e isso foi tão legal para os alunos. Acho que eles se sentiram pertencendo a minha vida. Em alguns momentos percebo que eles se sentem incluídos na minha vida e para eles isso é importante (eu ainda não sei porque). Deve ser isso que apaixona cada professor. Ontem mesmo uma aluna veio e falou: Obrigada professor, agora eu aprendi como ver o século dos anos (e me abraçou).
            No grupo, depois das piadas, Valtinho falou algumas coisas para mim, inclusive dizendo que tenho lesão no cérebro. Por conta do meu jeito de ser, de sempre refletir, me questionei: Será que ele está puto comigo? Não deve ser muito legal ser transformado em “piléria”. E pensei: Mas não é isso que fazem comigo pelo meu jeito e pelo meu trabalho com artes? Por que os outros podem fazer comigo e eu não posso com eles?
            Bem... fiquei refletindo e ontem, por acaso, encontrei Valtinho em um posto BR, o mesmo que fomos na madrugada de 01/04,  e perguntei para ele. Ele disse que riu muito e que não estava chateado. Eu falei que agora as crianças só falam dele. Disseram que eu deveria levá-lo para escola para elas ajudarem ele a ler e escrever... e assim eu percebi que alcancei algum objetivo: Mostrei para elas a importância do estudo. E ao mesmo tempo envolvi todos da turma no conteúdo de História.
            Ontem chamei Valtinho para ir de primata visitar a escola. Ele riu, uma amiga dele de faculdade ficou apoiando. Mas lógico, eu sei que isso não vai acontecer. O que importou dessa história toda? Além de me sentir feliz em ter mostrado o valor do estudo para aquelas crianças, eu me senti amado por elas. Elas querem saber da minha vida e ao contar sobre um amigo meu, acho que consegui isso.
            Também consegui compreender que essa minha forma diferente de lecionar e até de ser, de certa forma, é estranha para grande maioria das pessoas. Ótimo, já tem muita gente igual por ai. Mas eu também em alguns momentos quero ser igual, ser convidado para uma cerveja no final de semana ou para o casamento de alguém. Também gosto de ficar falando de futebol, garotas, lugares qualquer... ou seja, sou um cara normal.
            Tenho certa sensibilidade e criatividade, mas se você parar para conversar comigo vai ver que sou alguém simples, sincero e companheiro. E nesse momento, aos 30 anos, quero um pouco mais de tranquilidade... quero muita paz... quero amor... quero ser feliz como nunca fui. Ainda não sei a continuidade da História de Valtinho: um primata albino, mas com certeza sei que os alunos nunca vão esquecer essa história.

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